Centro de Assistência à Pessoa com Deficiência (CIAD) promove baile de carnaval

Publicado em 19/02/2020 - 17:43 | Atualizado em 19/02/2020 - 18:36
Ricardo Manhães se fantasiou de Gabigol no baile do CIAD. Foto: Marcos de Paula / Prefeitura do RioRicardo Manhães se fantasiou de Gabigol no baile do CIAD. Foto: Marcos de Paula / Prefeitura do Rio

Marchinhas e samba enredo como trilha sonora, concurso de fantasias com prêmios simbólicos e muita diversão num clima bem familiar. O carnaval já começou no Centro Integrado de Assistência à Pessoa com Deficiência (CIAD) Mestre Candeia, no Centro. O tradicional baile animou a quadra da instituição, que pertence à Subsecretaria de Esporte e Lazer (SUBEL), na tarde desta quarta-feira. Todos dançaram, brincaram e deram as boas-vindas à maior festa popular da cidade.

– É a celebração da vida. Trabalhar com eles é ganhar o impagável, aprender todo dia e enxergar o mundo de outra maneira. Ou seja, é encantador – declarou o professor João Lucas, que há cinco anos, quatro deles como estagiário, ministra aulas de habilidades funcionais no CIAD.

Camisa 9 do Flamengo, faixa de campeão da Libertadores 2019 no peito, máscara do ídolo e um cartaz nas mãos com a inscrição: “Hoje tem foto com Gabigol”. Nesta quarta-feira, Ricardo Manhães, deficiente mental moderado, de 37 anos, viveu um dia de fama. Igual ao atacante rubro-negro. Deu entrevista, tirou selfie e recebeu provocações sadias de torcedores rivais durante o evento.

– Festa muito bonita e animada. Estou curtindo – disse o fã do Gabigol, que pratica atualmente basquete, percussão e teatro no CIAD. A mãe dele, Rosângela Sardilha, vascaína ferrenha, brincou com a homenagem do filho: –­­­ Ele, com essa fantasia, está insuportável – afirmou, sorrindo.

Até os convidados caíram no samba. Literalmente. Lincoln Pereira e Lu Rufino, mestre-sala e porta-bandeira da Embaixadores da Alegria, escola que abriga pessoas com todo tipo de deficiência e há dez anos abre os desfiles do Grupo Especial do carnaval carioca, deram um show à parte. Sempre com muita simpatia.

Com um vestido rosa e branco e um adereço de carnaval na cabeça, Bianca Martiliano demonstrou samba no pé. Aluna do CIAD em capoeira, recreação e percussão, ela vai completar, em breve, 14 anos desfilando pela Portela.

– Estou adorando a festa, ainda mais na companhia dos amigos, professores e familiares – ressaltou Bianca, que nasceu com deficiência mental e visual.

A alegria foi marcante no baile carnavalesco do CIAD. Foto: Marcos de Paula / Prefeitura do Rio
A alegria foi marcante no baile carnavalesco do CIAD. Foto: Marcos de Paula / Prefeitura do Rio

Qual a importância do CIAD?

Inaugurado em 2003, bem em frente à Central do Brasil, o CIAD é referência no atendimento à pessoa com deficiência. O equipamento público, que funciona de terça a sexta-feira, das 8h às 16h, foi instalado em uma área de 2.400 m² destinada para o lazer e a prática de atividades esportivas. Há uma quadra polivalente, sala de ginástica, sala de lutas com tatame e auditório.

– Essa gestão abriu a mente e oferta a eles criatividade além da rotina. Criamos atividades fora do esporte, como passeios ao Museu do Amanhã, às praias, entre outros. Além dos alunos, abraçamos as famílias. É bom demais – destacou o subsecretário da SUBEL, Gustavo Freue, reforçando que o corpo técnico é “altamente qualificado”.

Transformar vidas

Um dos coordenadores do CIAD, Valdenio Borges trabalha com pessoas com deficiência há 41 anos, desde que seu filho nasceu com Síndrome de Down. A partir dali, ele mergulhou “num novo mundo”, como definiu.

– Isso aqui é a minha vida. A proposta do CIAD é transformar a vida deles por meio de atividades físicas, culturais e de lazer. É prazeroso.

 

Bianca Martiliano classificou a festa como maravilhosa. Foto: Marcos de Paula / Prefeitura do Rio
Aluna do CIAD, Bianca Martiliano classificou a festa como maravilhosa. Foto: Marcos de Paula / Prefeitura do Rio

 

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